Achei esse vídeo bem interessante, especialmente quando aborda o tema da disciplina espiritual, da prostração em SILÊNCIO contemplativo de adoração. Recomendo.
Seguem então algumas considerações MINHAS a respeito do assunto:
Às vezes acho que a gente fala demais em nossos momentos a sós com Deus (que é muito diferente da oração em grupo, obviamente). Não costumamos considerar o fato de que podemos ficar horas na presença do Senhor sem precisar falar muita coisa. Geralmente nos sentimos como se sentíssemos na obrigação de "inventar assunto" para preencher o momento. Como se tivéssemos uma visita na sala e nos sentíssemos embaraçados com a possibilidade de ficar sem assunto.
Jesus não é uma visita na sala. Ele não precisa ser entretido.
Noto que a partir de um certo momento aos pés do Senhor o silêncio pode ser muito bem vindo. Chega uma hora em que sentimos a necessidade de adorá-lo sem pedir mais nada ( até porque a adoração não é muito ajudada pelo nosso exíguo vocabulário). Sempre nos faltam palavra. Por isso, em níveis mais profundos de adoração, as palavras até atrapalham.
Já me aconteceu de algumas vezes estar orando a sós e sentir fortemente que a partir de determinado momento eu deveria simplesmente calar a boca. É quando já expressei minha gratidão, já louvei, já confessei pecados e pedi perdão, já intercedi por pessoas e situações diversas... e então me surge o pensamento: "cala a boca, Cristina! Deguste o silêncio aos pés do Senhor!"
No nível da adoração o falatório atrapalha. Jesus disse que não é pelo muito falar que seremos ouvidos.
É importante fazer as seguintes distinções: ADORAÇÃO não é LOUVOR nem é SERVIÇO. Adorar é algo que o corpo não pode fazer, só o espírito. Não gosto da BANALIZAÇÃO da ideia de adoração que a gente vê por aí. Tem gente que fala como se isso fosse qualquer coisa. Qualquer que eu faça em intenção de agradar a Deus seria adoração. Na minha opinião não é.
Podemos SERVIR AO SENHOR de mil formas diferentes, inclusive (talvez principalmente) através do serviço de amor ao próximo: acudindo um enfermo, ouvindo o aflito, se disponibilizando ao necessitado, militando pela paz, pela saúde, comprando um remédio para quem precisa, alimentando o faminto, orando pelas pessoas, visitando o solitário, assumindo uma tarefa na igreja... Pra você ver como adorar é diferente de servir ao Senhor: posso servir ao Senhor enquanto penso em futebol. Posso cuidar de uma criança carente enquanto assisto uma novela ou respondo uma mensagem e ainda assim estarei servindo eficazmente ao Senhor. Na adoração isso não é possível.
Sobre o LOUVOR: posso louvar ao Senhor de muitas maneiras: através das minhas expressões de gratidão, através uma vida irrepreensível, através de cânticos, de um bom testemunho, testemunhando aos outros sobre o poder e o amor de Deus... Posso louvar ao Senhor até enquanto lavo o chão! Mas ADORAR não, é diferente. Adorar é outra coisa. A exuberância da natureza louva o nome do Senhor, louva o seu poder. Um bebê louva a Deus ("da boca dos pequeninos e dos que mamam tu tiraste o perfeito louvor"). Tudo o que demonstra o poder, a perfeição, a sabedoria, o amor de Deus são louvores naturais e espontâneos ("os céus manifestam as glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos."). Até seres inanimados e sem vida podem ser usado em louvor ao Senhor. No Salmo 150 toda as coisas que tem fôlego são chamadas a louvar ao Senhor, ainda que não tenham entendimento. Isso porque louvar é sinônimo de ELOGIAR, ENALTECER.
ADORAR é diferente. "Não dá para chupar cana e assoviar ao mesmo tempo". Não há modo de fazer isso distraidamente ou enquanto se lava o carro. Adorar requer inteireza de mente, alma e espírito. É como dizem: ao louvar, louvamos ao Senhor pelas coisas que ele fez mas ao adorar, não: nós adoramos ao Senhor pelo que ele é:
"... e o Senhor feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente. E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra... E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança estava morta... Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Está morta. Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do Senhor, e adorou." (II Samuel 19)
Se Deus tivesse curado seu filho, Davi louvaria o Senhor pelos seus feitos. Mas o Senhor não atendeu o seu pedido e não curou a criança! Então Davi se conformou, aceitou a vontade de Deus e o adorou. Não adorou pelo que ele fez (até porque Deus não fez) mas pelo que o Senhor é. Pelo que o Senhor representava para Davi. Ou seja: adoração é também rendição. Submissão total a vontade de Deus. É uma confissão de fidelidade: "ainda que ele não atenda a minha oração eu continuarei adorando". É uma postura de contemplação e submissão:
"... ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado..." Habacuque 3:17
Qualquer um pode louvar ao Senhor. O sol e a lua louvam a sua grandeza. E para servir ao Senhor posso usar o meu carro, o meu dinheiro... Mas para adorar, só com o meu espírito, com o que tenho de mais profundo dentro de mim. Só o salvo, convertido, tem condição de realmente adorar o Senhor porque é o Espírito de Deus que ativa o nosso espírito para isso. A adoração é o nível mais completo de união com o Senhor.
"Oh, leva-me a sala do trono
pelo novo e vivo caminho.
Pelo sangue de Jesus,
eterno Sumo Sacerdote!
Oh leva-se a sala do trono
pra te adorar, Senhor!
Oh leva-se a sala do trono
pra te adorar, Senhor!"
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