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terça-feira, 1 de outubro de 2024

Oséias e Jeremias

Os profetas Oséias e Jeremias: ambos eram servos do Senhor e foram levantados como profetas para advertir Israel e Judá dos perigos de continuarem acalentando pecados.  Oseias foi enviado a Israel e Jeremias enviado a Judá .

O interessante é que os ministérios dos dois eram muito semelhantes. Tinham a mesma finalidade de despertamento, advertência,  chamada ao arrependimento e ameaça.  Mesmo assim as orientação de Deus para o particular das suas vidas foi completamente diferente um do outro. 

Para Oseias Deus mandou: "case e tenha filhos e dê a seus filhos os nomes proféticos que te informarei". Isso despertaria a curiosidade das pessoas, chamaria  a atenção do povo e serviria como motivo para mostrar as advertências de Deus.  Já para Jeremias o Senhor falou exatamente o contrário:  "não se case nesse lugar, não se case com ninguém desse povo.  Não constitua família aqui porque vai vir grande sofrimento e as crianças que nascerem vão morrer ou por fome ou por guerra ou serão levadas em cativeiro".

Às vezes temos a impressão de que ministérios semelhantes levam a vidas semelhantes, sinais semelhantes, estilos semelhantes. Isso não é verdade.  Jeremias e Oseias eram igualmente profetas e ainda assim receberam ordens para terem vidas completamente diferentes um do outro.

Não adianta acharmos que se formos chamados para fazer a obra do Senhor nossa vida será igual a daquele irmão ou daquele personagem da Bíblia.  Não será.  

Não se espelhe nem imite os passos de ninguém. Tudo com Deus é muito particular.  "Sede meus imitadores assim como eu sou imitador de Cristo" tem a ver com santidade, obediência e caráter, não com decisões de vida.

Os sapatos  que cabem em um, não servem para o outro.  Os sapatos de Oséias não serviam para Jeremias. Os sapatos de Paulo, de Abraão, de Maria, de Pedro, do seu pastor, não servem para você. O seu caminho com Deus é só seu. Decubra-o.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Não temos todos os detalhes


2 Reis 23:29

"Durante o seu reinado, o faraó Neco, rei do Egito, avançou até o rio Eufrates ao encontro do rei da Assíria. O rei Josias marchou para combatê-lo, mas o faraó Neco o enfrentou e o matou em Megido."

Para quem leu a história do rei Josias é complicado entender a sua morte. A Bíblia diz que nenhum rei se converteu ao Senhor com tanta sinceridade e devoção e depois dele nenhum outro rei tão justo se levantou. Então um dia Josias resolveu sair à guerra e logo no primeiro confronto foi morto. Por que Deus não o protegeu?

Essa narrativa, encontrada no segundo livro dos Reis, está bem resumida. Mas podemos ver o registro do mesmo episódio de forma mais completa no segundo livro das Crônicas (cap. 35 a partir do verso 20).

Josias estava vivendo dias de paz. Certo dia ficou sabendo que haveria uma guerra entre o Egito e a Assíria e desejou fazer parte do confronto. Por quê?

Havia profecias antigas nas quais o Senhor anunciava castigos para essas nações que haviam oprimido Israel em outras ocasiões. Josias queria ver logo a palavra do Senhor se cumprir. Ele desejou participar da guerra para apressar as coisas, para "ajudar Deus a castigar aquelas nações". Ele não quis aguardar o momento de Deus nem o método de Deus. Por esse motivo Josias se empolgou e quis participar da guerra e a vontade era tanta que ele nem consultou o Senhor. Ele não queria perder a oportunidade de se vingar de antigos inimigos e se preparou para lutar contra Faraó. Josias achou que seria muito fácil pois a Assíria também estava contra o Egito. Seria dois contra um, então a vitória parecia certa.

Faraó Neco, rei do Egito, ficou sabendo da intensão de Josias. Inspirado por Deus , Faraó enviou a Josias uma mensagem de advertência:

"Não interfiras nisso, ó rei de Judá. Dessa vez não estou atacando a ti, mas a outro reino com o qual estou em guerra. Deus me disse que me apressasse; por isso para de te opores a Deus, que está comigo; caso contrário ele te destruirá."

Notemos que Faraó não tinha motivo nenhum para se importar com a integridade física de Josias. Isso veio de Deus! E esse fato por si só deveria "acender um sinal vermelho" no rei de Judá, mas isso não aconteceu. Se Josias não acreditava que Deus poderia lhe falar através de Faraó, ele poderia pelo menos tentar confirmar aquela palavra com algum profeta do Senhor, mas não fez nem isso.

Davi e outros reis costumavam consultar o Senhor antes de entrar em qualquer guerra. Josias estava se sentindo tão aprovado por Deus que nem se deu ao trabalho de consultar o Senhor. Por quê? Um outro motivo para isso deve ter sido que anteriormente o Senhor havia dito a Josias que contemplara a sua conversão e atitudes de arrependimento, portanto iria abençoá-lo. O castigo contra Judá já estava determinado mas por amor a Josias a catástrofe seria adiada. Josias viveria em paz por todos os anos de seu reinado. Morreria em paz e não veria tudo de ruim que iria acontecer à nação depois dele. Isso também o fez se sentir precipitadamente confiante.

Há um grande perigo na mentalidade ufanista de pensarmos que somos especiais, pré-aprovados e que em tudo o que fizermos teremos a bênção do Senhor. Não é bem assim! Às vezes Deus nos dá sinais para evitarmos determinado caminho e se teimarmos ele não nos livrará das consequências. Possivelmente aquela palavra tenha dado a Josias coragem para se enfiar naquela guerra desnecessária pois achava que estava sob a bênção incondicional de Deus.

Em sua infinita paciência Deus usou o próprio Faraó para advertir-lo (Não interfiras nisso!"... Deus pode te destruir") mas o rei de Judá preferiu fazer a sua própria vontade.

Muitas lições podem ser tiradas desse episódio. As mais obvias nos falam de submissão, humildade, dependência da orientação de Deus, domínio sobre o desejo de fazer justiça com as próprias mãos, fé para crer e aguardar a justiça de Deus. Mas há ainda outra lição a ser aprendida.

Numerosas vezes lemos na Bíblia narrativas que não conseguimos assimilar muito bem. Há episódios onde parece que Deus foi excessivamente severo ou até mesmo injusto com algum personagem. Quantas vezes evitamos julgar homens mas acabamos julgando Deus!

Por que não devemos julgar homens? Porque não conhecemos todos os pormenores das suas vidas nem cada detalhe das suas motivações. E quanto a Deus? Não devemos "julgá-lo" pelo mesmo motivo. O que sabemos sobre a história e costumes das nações, cultura, crenças e práticas? O que sabemos sobre a vida dos outros? O que sabemos sobre o tempo de Deus, os pensamentos de Deus e a sua forma de fazer justiça?

Se sempre soubéssemos o que Deus sabe certamente daríamos razão a ele todas as vezes mas é impossível termos esses conhecimentos. Nossa concordância com os atos de Deus não devem depender apenas do conhecimento pleno de todos os fatos. Isso jamais teremos nessa vida. Nossa concordância com os atos soberanos de Deus devem ser motivadas PELA FÉ. Fé na sua justiça e na sua bondade. O raciocínio deve ser "Sei que Deus é justo e que ele é amor. Se ele está agindo assim, então isso é o certo. Ele sabe o que faz. Eu confio."

Se eu SEI que ele é justo então eu concordo com todos os seus atos mesmo sem ter acesso aos detalhes da história. Esse é o desafio. Sem fé é impossível agradar a Deus.

Dessa vez o Senhor quis mostrar, no livro das Crônicas, a mesma história contada no livro dos Reis, só que com mais detalhes. Ao ler a história mais completa acabamos dando o braço a torcer e concordando com Deus. O Senhor não foi injusto com Josias, o qual foi carinhosamente advertido a não entrar naquela guerra.

Tendo acesso aos detalhes, a nossa visão muda. Confrontando Reis com Crônicas podemos ver as razões de Deus. Só que nem sempre isso vai acontecer. Raramente teremos os detalhes da história. E sempre que acharmos um texto "meio esquisito" devemos nos lembrar desse episódio e ter em mente que muitas partes relevantes dos relatos não estão ao nosso alcance.

Você pode concordar com Deus pela fé? Ou sua "fé" não funciona se não houver explicações?

domingo, 1 de setembro de 2024

A missão de Cristo

O que é mais fácil de fazer: construir ou destruir?  O que é mais desgastante para o inimigo: que impedíssemos completamente a sua ação ou que o deixemos agir para logo em seguida desfazer tudo?  

Por quê Deus deixa o Diabo agir no mundo?

Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo.  I João 3:8

Por quê Deus não impede todas as ações do Diabo? O Senhor não tem poder para isso? Tem sim. Mas isso não tem a ver com a liberdade do diabo agir. Tem a ver com a liberdade dos seres humanos. Deus não impede  o diabo de agir porque isso interferiria na liberdade do ser humano escolher entre o bem e o mal.  

Se o ser humano se afasta de Deus e "dá legalidade" ao Diabo, então ele age porque "Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens."  Salmo 115:16.  O Senhor entregou este planeta para ser gerenciado pelos humanos. A regra é essa:  Deus interfere quando clamamos por ele. O diabo interfere se deixarmos, se fizermos pacto com ele, se obedecermos as suas sugestões e voltarmos as costas à lei de Deus. Então Deus não vai impedir a maldade no mundo em respeito à nossa liberdade.  Sim, ele deixa o diabo agir mas só até certo ponto. A Igreja do Senhor é a força de oposição.

Não deveríamos nos assombrar tanto com as obras do diabo. Ele é apenas um excelente marqueteiro e sabe fazer propaganda de si mesmo.  Não deveríamos acreditar com tanta facilidade em propagandas. O que Deu faz é muito maior.  

O diabo não tem a chave do compartimento do nosso espírito. Ele instiga o corpo, perturba a alma mas a nossa essência mais profunda, aquela que clama por Deus e o busca em silêncio, a isso ele não tem acesso. E esse "lugar espiritual" é o fundamento de todo o nosso ser e de tudo que é construído.  Não importa o tamanho da confusão erguida no edifício da nossa vida; o fundamento está no espírito e basta Deus tocar em nosso espírito que tudo o que for podre desmorona para que o Senhor construa de novo. É como se o diabo sempre estivesse construindo sobre a areia. Qualquer vento do Espírito derruba tudo.

Só Deus tem acesso ao compartimento do nosso espírito. Basta um toque no Senhor no seu espírito para que todo esse castelo de cartas, construídos pelo diabo ao longo de anos, caia!  Basta um olhar de Cristo, um toque, um sopro.

Nós vemos o que os bandidos fazem e nos afligimos mas nem sempre percebemos o que o Espírito de Deus está fazendo nos corações de muitos deles. Muitos estão sendo salvos. Muitos tem sede de Deus e em seu interior clamam por ele.  Isso a gente não vê, mas acontece todo dia e toda hora. Deus desfaz o que o diabo faz e transforma a maldição em bênção. Na conversão de um assassino mil pessoas podem alcançar a salvação. 

Então a missão da igreja  é ESPIRITUAL, principalmente. Não importa o que o diabo diga, Deus desdiz. Não importa o que o diabo prega: Deus desprega. Não nos impressionemos com arranha-céus que podem vir ao chão com um simples sopro do Todo Poderoso. A Palavra diz que o "grande" Anticristo será destruído com um sopro da boca do Senhor Jesus.

Assim como a desobediência dos infiéis tem "poder de dar liberdade" ao diabo,  as orações dos justos trazem a mão de Deus para agir na Terra. Deus determinou que quer agir através da sua Igreja, em parceria. Nossa oração desfaz o que a desobediência faz.

Satanás não consegue entender os planos de Deus. Nos primeiros séculos do cristianismo os servos de Deus foram duramente perseguidos. 11 dos 12 discípulos fora martirizados. Muitos dos seus contemporâneos, filhos e netos foram decapitados, queimados e devorados por feras. Era o diabo agindo para pôr fim à pregação do evangelho. E no que isso resultou?  Resultou em que o sangue dos mártires foi como que o atestado de veracidade do testemunho que eles deram  porque ninguém morre pra sustentar uma mentira inútil. Eles morreram porque não conseguiram negar aquele verdade irresistível que iluminou toda a vida deles e deu sentido a tudo.  O martírio PROVOU A SINCERIDADE deles e a autenticidade do que alegavam. O que era para ser ruína serviu de autenticação - e o Evangelho prosperou e se espalhou pelo mundo.

Nenhum discípulo enriqueceu ou obteve regalias com a pregação do evangelho. Pelo contrário. Então qual a necessidade de sustentar até a morte uma mentira que não lhes traria nenhuma vantagem?

Devemos ter olhos para ver que Deus tem poder para desfazer as obras do diabo e tem feito isso com maestria através dos tempos. 

Lembro agora daquela conversa dos discípulos com Jesus: "Olha, Senhor! Veja que construção magnífica! Que templo bonito! Que pedras enormes e bem talhadas! Que muros poderosos!"   Jesus olhou e apenas disse: "é verdade... mas fiquem sabendo que não restará pedra sobre pedra de tudo isso aí que vocês estão vendo.  Tudo virá ao chão. Apenas aguardem".

Nesse episódio os discípulos estavam se referindo ao belíssimo templo de Jerusalém mas aqui eu pego emprestado essa passagem para ilustrar a presente reflexão:   não se maravilhe com os grandes edifícios de maldade, desonestidade, escravidão, vício, idolatria e mentiras que o Diabo construiu no mundo. Está vendo tudo isso? É frágil. NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA QUE NÃO SEJA DERRUBADA. No tempo certo acontecerá. Aleluia!


quarta-feira, 12 de junho de 2024

EL ROI - O DEUS QUE VÊ

Jó 7:17-20
"Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas nele o teu cuidado,  e cada manhã o visites, e cada momento o ponhas à prova?  Até quando não apartarás de mim a tua vista? Até quando não me darás tempo de engolir a minha saliva?  Se pequei, que mal te fiz a ti, ó espreitador dos homens?"

Salmos 8:4-5 
"Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?  Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste."  

Gênesis 16:11-14:  Disse-lhe também o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição... E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus que me vê..."

Acho interessante o registro desses momentos em que o humano sentiu sobre si o olhar de Deus. No exemplo de Jó, ele se sentiu muito incomodado.   Nos outros dois casos, Hagar e Davi, eles se sentiram privilegiados por terem sido alvo da atenção do Senhor do Universo. Sentiram-se coroados de glória e de honra. 

Jó estava incomodado.
Davi sentiu-se imensamente honrado e feliz. Hagar ficou muito surpresa e sentiu-se acolhida.  

Tudo depende das circunstâncias em que estamos vivendo. Nosso estado interior nos leva a definir Deus de acordo com a realidade perceptível. Só que a realidade não é totalmente perceptível. Aliás percebemos "um quase nada"   do que compõe a realidade.  Toda a nossa interpretação do mundo, tanto físico quanto espiritual, está comprometida pelo estado da nossa alma.  

Jó estava sofrendo muito. Sabendo que o Senhor Deus rege todas as coisas, só pôde entender que era o próprio Deus o responsável por todo aquele sofrimento. Ele sentia como se Deus estivesse com uma lupa procurando pecados nele para poder castiga-lo.   Em seu sentir Deus estaria com um olhar minucioso e severo, sem misericórdia,  cascavilhando a sua vida. Por esse motivo Jó pede um tempo:  "Deixe-me pelo menos respirar!"  e chama Deus de espreitador dos homens.  

Já com Davi era o contrário: ele estava maravilhado com o olhar de Deus. Davi trazia na memória o quanto foi protegido e honrado ao  longo da vida e, apesar de tantas angústias e problemas terríveis que enfrentou, ainda assim ele sempre saia vitorioso.  Tanto Davi quanto Jó se perguntam "o que é o homem, para que dele te lembres? Por que um ser tão imenso e poderoso colocaria a sua atenção sobre nós?"    Davi estava feliz com essa imerecida atenção.  Hagar também: uma simples escrava, pobre e aflita, sentiu o olhar de Deus sobre si.  Descobriu, comovida que não estava sozinha. Deus a acolhera! O Deus de seu senhor voltou os olhos para ela! Hagar achou o máximo conhecer "o Deus que vê!"  o Deus que se importa, que cuida, que nos atribui valor.

Em qual momento você se encontra hoje?    O olhar de Deus te parece incômodo ou reconfortante? Você preferia que o "espreitador dos homens" te desse um tempo  ou você se alegra em perceber que "tu me cercas por detrás e por diante e sobre mim estendes a tua mão"?  (Sl. 139:5)

Seja como for, lembre-se:

"Porque, quanto ao Senhor, 
seus olhos passam por toda a terra, 
para mostrar-se forte para 
com aqueles cujo coração 
é perfeito para com ele..."  
2 Crônicas 16:9



quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A DRACMA PERDIDA

Uma mensagem ao casal:


"Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?   E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida."       Lucas 15:8,9

"Uma dracma era uma unidade de moeda grega. Durante o período do Império Romano, uma dracma de prata era uma moeda comum, e seu valor era equivalente a cerca de um denário romano (valor aproximado de um dia de trabalho para um trabalhador comum). Portanto, uma dracma grega no tempo de Jesus teria tido um valor aproximado ao de um dia de trabalho."

Geralmente, no Evangelho, a dracma perdida faz um paralelo com a ovelha perdida.  Mas hoje percebi que podemos usar essa parábola para outra situação.   Podemos pensar nas "nossas dracmas" para falarmos em CASAMENTO.

Nesses dez anos podemos afirmar, com muita certeza, que vocês conquistaram coisas realmente preciosas:   ganharam amadurecimento, adquiriram conhecimento mais profundo  sobre o outro e sobre si mesmos, ganharam a realidade no lugar das idealizações tolas,  ganharam filhos maravilhosos, ganharam novos amigos, realizaram sonhos e descobriram outros que valem a pena ser sonhados. Ganharam a paz da companhia um do outro e a doçura de se sentir aceitos.  Muitas outras coisas poderiam ser citadas. De fato vocês enriqueceram, ganharam muitas dracmas!

Mas é possível que hoje vocês olhem para trás e sintam falta de algumas moedas de ouro. Talvez sintam diminuída em vocês a capacidade de perdoar como antes. Talvez tenham perdido a dracma da simplicidade, e da capacidade de ser feliz com pequenas alegrias, a dracma do olhar terno, a dracma daquele antigo coração leve, livre de mágoas... Talvez tenham perdido a dracma da capacidade de relevar pequenos defeitos ou a capacidade de ceder. Não sei. Mas seja o que for, não aceitem a perda jamais!

Às vezes, na rotina de varrer a casa, encontramos coisas antigas que nem sabíamos que havíamos perdido! Outras vezes começamos a varrer a casa para procurar algo de que já estamos sentindo falta.  Ambas as situações podem acontecer na vida de casados.

E o que é "varrer a casa"?

Antes de iniciar a procura, a mulher da parábola acendeu a candeia. Porque no escuro ninguém enxerga nada, nem a si mesmo!   "Porque tu, Senhor, és a minha lâmpada; o Senhor  derrama luz nas minhas trevas."      2 Samuel 22:29.     

A candeia se acende com auto análise sincera na presença de Deus, leitura da Palavra e uma oração sincera: "Senhor, vê se há em mim algum caminho mal e guia-me pelo caminho eterno."    Só então mãos a obra.  

"Varrer a casa" é um trabalho muito íntimo, de "quatro paredes".   Ninguém convida os amigos para varrer a casa. A gente só convida para a festa, para a comemoração. 

Varrer a casa é também um trabalho que exige iniciativa: o mais incomodado deve ser o primeiro a pegar a vassoura. Lembrem que nem sempre a percepção do outro acontecerá ao mesmo da sua. É assim mesmo. Não se indigne se, naquele primeiro momento, só você esteja sentindo falta da dracma.

Sei que a maioria das lutas de vocês, pequenas ou grandes, se passam na intimidade do lar, na intimidade do quarto, e ninguém fica sabendo. É assim mesmo. Mas quero declarar que se um dia precisarem de uma força, estarei sempre disponível tanto para ajudar a acender a candeia quanto para pegar a vassoura  e vasculhar a casa.   Gosto de festas. Podem me chamar para as comemorações quando reencontrarem alguma dracma perdida. mas saibam que podem contar comigo também para ajudar a varrer a casa.  

Quero estar sempre junto a vocês, de forma não invasiva mas carinhosa e prestativa, apoiando projetos, iniciativas, orando e cooperando com a felicidade de vocês.  

Parabéns! E que vocês conservem com zelo e sabedoria essa riqueza toda que já conquistaram.

Um beijo da mamãe.




terça-feira, 8 de agosto de 2023

O Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento

Reconheço que esse assunto pode ser bem complicado de entender. Eu mesma já me vi muitas vezes pensando a respeito mas sem chegar a conclusão alguma. 

Hoje, lendo o Antigo Testamento, creio que consegui - com a graça de Deus - entender isso melhor. A questão agora me parece bem clara. Espero que passe a ser clara para você também, embora eu saiba que esses entendimentos são muito íntimos, acontecem no recôndito das nossas mentes.  O processo é muito particular. 

Para melhor explanar a questão vou tratá-la na forma de perguntas e respostas, afinal não é assim que a nossa argumentação interior funciona?   

Não posso afirmar que as argumentações abaixo  tenham a mesma significância que tiveram para mim, mas vou tentar repassar a minha maneira de perceber  o que seriam "os motivos de Deus para agir de forma tão diversa através dos tempos."  Vejamos:

a- Em primeiro lugar: Deus não mudou, de forma alguma.

b -   Pra mim parece que mudou sim. As "atitudes" de Deus no Antigo e no Novo Testamento são muito diferentes!

a - As diferenças eram no agir, não na personalidade de Deus.   Tudo foi motivado por PROPÓSITOS diferentes, não por personalidades diferentes. Deus não se tornou "mais bonzinho" no Novo Testamento e não era mais severo no Antigo. Tudo sempre dependeu do PROPÓSITO de Deus para aquela época. Tudo sempre dependeu da decisão Deus se tornar "mais presente" ou "menos presente". É questão de intensidade: a INTENSIDADE DA PROXIMIDADE que Deus escolheu para lidar com o povo em determinada época.

b- Como assim?  Deus não está em todos os lugares ao mesmo tempo? Essa conversa está muito estranha. Deus está em todos os lugares!

a-   Não é exatamente assim.  Não é que "Deus está em todos os lugares".  O mais correto é pensar que  "todos os lugares estão em Deus".     Observe que não é a mesma coisa.   Entenda: tudo está "mergulhado" em Deus pois Deus é infinito e seu poder alcança tudo e move tudo. Só que ele não "se faz presente" em todos os lugares da mesma forma nem na mesma intensidade. 

b-  Onde você viu isso na Bíblia?

a-  De certa forma Deus está em todos os lugares sim, mas veja:    quando ele falou com Moisés do meio da sarça ardente ele disse para Moisés tirar as sandálias dos pés porque aquele lugar era terra santa. Ora, Deus não está em todos os lugares? Por que então só aquele lugar específico seria terra santa? Porque ali Deus estava se manifestando com "maior presença", maior intensidade.  Nós, os humanos, não temos esse poder: ou estamos em um lugar ou não estamos. Mas Deus pode, de forma genérica, "estar em todos os lugares" mas mesmo assim" se fazer "mais presente"  aqui ou acolá, onde ele escolher.   Deus "está em todo lugar" mas no tabernáculo, no Santo dos Santos, ele estava "mais intensamente presente", assim como no monte Sinai, que chegou a fumegar.   Porque será que o mundo todo não fumega como o Sinai? Deus não está em todos os lugares?    Ora, se em algum lugar Deus se revela mais intensamente, aquele lugar é especialmente santo em relação aos demais e se torna, pelo menos temporariamente, diferente de todos os outros lugares do mundo. Isso é um fato.

b- E o que isso tem a ver com o Deus do Antigo e o do Novo Testamente?

a- Tem tudo a ver. No Antigo Testamento Deus tinha um propósito muito claro e importante: fundar uma nação para através dela trazer o Messias ao mundo. Era um propósito de salvação. Então ele precisou se fazer mais presente no meio daquele povo, se manifestar mais, educar, orientar, dar regras claras. Quando Jesus viesse ao mundo era necessário que viesse de um povo que não estivesse com seu DNA corrompido (ou "alterado")  através de doenças provenientes de incestos, de doenças advindas da má alimentação, da falta de higiene, do sexo com animais ou com seres deformados (os gigantes da época)   etc.  Era importante que  a nação não tivesse a "linhagem da alma" comprometida com a adoração a demônios, com o sacrifício de crianças etc.  Tudo isso compromete a formação de um povo.   Deus  estava "preparando o caminho do Senhor", então forçosamente teve que se fazer "mais presente", de forma mais inequívoca, marcante e até mesmo chocante para o povo de Israel naquela época. O povo tinha que ser convencido a obedecer, pois não havia como explicar naquele tempo nada a respeito de bactérias, dna, herança genética, etc.  

b- Sim, então ele se fazia mais presente. E daí?

a - E daí que isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

b - Bom e ruim? Eu queria que Deus sempre estivesse presente comigo todos os dias como esteve com aquele povo!

a - Tem certeza?

b- Tenho!

a-  Deus é santo e não tolera o pecado.  Se ele se manifestasse de forma tão intensa agora quanto fez naquele tempo , talvez você já tivesse sido eliminado.   

b-  Mas eles foram eliminados por causa do pecado, da teimosia e da reclamação!

a-    E você jura que você é mais santo do que aquele povo?  Você se acha diferente deles?

b-   Bem, é verdade que não sou mais santo do que eles, mas Deus me trata de forma diferente.  Não fui fulminado por causa dos meus pecados. Por quê?

a-  Porque Deus não precisa agir agora como agiu naquela época. Não é necessário. Não porque sejamos mais santos do que aquelas pessoas. Não é necessário porque não há mais a mesma finalidade. Só isso.

b- Finalidade? Qual finalidade? A ideia não era punir os pecadores?

a- Não exatamente. A ideia era apenas a seguinte:   Quem está muito perto do fogo acaba se queimando.  Naquela época Deus precisou "chegar mais perto". Só isso.  Aí deu no que deu.

b- E agora ele não está conosco?

a- Está sim, mas ele limita a sua ação para não nos destruir.  Se o sol se aproximar um pouco mais de nós, não seria complicado?  Veja: nós não somos melhores nem piores do que o povo hebreu. Apenas Deus agia de forma mais próxima e intensa porque havia uma necessidade para isso: ele estava formando uma nação, formando mentes, imprimindo suas leis no emocional das pessoas, separando aquelas pessoas das outras nações pagãs.   Foi necessário uma proximidade maior mas uma proximidade maior tem suas consequências!  A palha, se chegar muito perto do fogo, pode ser consumida!   Em Hebreus 12:29 está escrito que "o nosso Deus é fogo consumidor". Ele não deixou de ser fogo consumidor, apenas diminui o impacto da sua presença. Isso impede que sejamos destruídos.  Se o "Sol" (Deus) não chega mais perto, como no passado, é porque não há um propósito hoje para isso.    Quando ele se manifesta é por amor, para fazer algo grande. E quando ele não se manifesta, pode ter certeza de que também é por amor.  Ele não quer nos destruir.  

b-  Não havia outra forma de Deus conduzir aquele povo sem destrui-los?  Se Deus é amor ter agido de outra forma. 

a-   Ele até tentou mudar, mas Moises pediu que ele continuasse.

b-   Sério? Como assim?

a-  Deus disse a Moisés que não iria mais seguir junto com o povo de forma tão próxima. Disse que um anjo iria guiando o povo e que ele havia decidido isso porque o povo tinha um coração muito duro e se sua presença continuasse na mesma intensidade ele iria acabar destruindo todo mundo. 

b- E o que foi que Moisés disse? 

a-  Moisés não aceitou. Orou e implorou dizendo que se o Senhor não fosse com o povo então era mehor eles nem saírem do lugar.  Moisés não queria anjo nenhum, queria o próprio Deus todo poderoso ("se tu mesmo não fores conosco então  nem nos faça continuar a viagem").     Então Deus atendeu a oração de Moisés mas o  resultado é que no final das contas nem o próprio Moisés entrou na terra prometida!  Devemos pensar mil vezes antes de insistir com Deus em algum pedido. Se ele diz não é porque é para o nosso bem.  Melhor acreditar que toda a decisão dele é para o nosso bem. 

b- Então permanece a pergunta: por que Deus não nos destrói também como destruiu aquele povo no deserto?  Ou Deus só tinha planos especiais naquela época?

a-  No Novo Testamento vemos que Deus tinha planos especiais também: o  NASCIMENTO DA IGREJA DE CRISTO.   Então naquela ocasião da igreja primitiva também vemos alguns exemplos do agir de Deus à semelhança do Antigo Testamento: lembre do caso de Ananias e Safira. Eles não foram sinceros, então foram fulminados. Houve também o caso de Herodes, que morreu comido de bichos porque não deu glórias a Deus (Atos 12:22).

b-  É verdade...   Bem, no passado Deus estava formando a nação judaica para ser o berço do Messias. Mas e agora, no caso de Ananias e Safira? E por  que Deus não faz mais isso hoje?

a-   A partir de Cristo, Deus agiu novamente mais claramente. Isso porque dessa vez estava formando a IGREJA.   Era também uma situação muito especial. Mas veja: o poder demonstrado no tempo de Moisés nunca mais aconteceu novamente. E o poder demonstrado em Atos dos Apóstolos, início da igreja, também nunca mais se repetiu.   

b- Então parou tudo?

a- Não!  Milagres continuam acontecendo mas nunca mais foi na mesma frequência nem de formas tão chocantes.   A voz de Deus é tão poderosa que no passado o povo implorou para Deus parar de falar! E pediram para Moisés encarar sozinho a situação. E chegou um momento que até mesmo Moisés estava morrendo de medo! (Hebreus 12: 18-21).  O ser humano não aguenta isso o tempo todo com esse corpo mortal.

b- Mas seria tão bom se Deus continuasse a se manifestar daquele jeito!

a-   A imagem do monte fumegando e tremendo pode até te parecer linda hoje mas tem o outro lado da moeda: Deus é santo e quanto mais ele estiver perto, menos as nossas "pequenas iniquidades"  ficarão sem troco imediato.  Como já foi dito, palha perto do fogo é logo consumida.  A quem muito é dado, muito lhe será requerido. 

b- Mas eu queria tentar encarar essa situação gloriosa!

a- Os discípulos viram o poder de Deus de uma forma "assustadora" mas isso abala a "ordem natural das coisas".  O nosso mundo natural foi feito com leis naturais sábias e ele é programado para funcionar dentro dessa leis.   Deus só quebra essa sequência de leis naturais com um motivo muito específico. Ele não faz nada para simplesmente nos entreter.  Ele não dá "show de poder" só para a Igreja vibrar e gritar glória a Deus. 

b- Então Deus seguiu ou não seguiu com os hebreus? E segue ou não segue com a Igreja hoje?

a-  Ele continua conosco sempre!   O Senhor nunca abandonou o seu povo! Ele apenas "dosa" a intensidade da sua presença por amor de nós.  Se não fosse assim, todos já teríamos sido consumidos.

b- Será que nunca mais Deus vai agir como no Êxodo ou como em Atos? 

a- É bem possível que sim. Se observarmos o que o Apocalipse diz sobre As Duas Testemunhas, vemos que os tempos do fim serão tempos também muito especiais quando, por um período,  Deus deverá voltar a agir de forma mais clara e severa.  

b-  Acho que se eu visse mais milagres eu seria mais fiel e espiritual! Se todos vissem mais milagres haveria mais conversão.

a-   Isso me lembra a parábola do rico e do Lázaro. O rico, condenado, pediu que Deus enviasse alguém que já morreu para tentar convencer seus familiares de que deveriam se arrepender e crer em Deus. Aí foi-lhe dito que "se eles não acreditam em Moisés nem nos profetas, também não vão acreditar em ninguém, ainda que essa pessoa ressuscite dos mortos."  Ou seja: o rico pediu um milagre, uma intervenção sobrenatural no mundo natural, mas não foi atendido porque isso, por si só, gera espanto mas não gera arrependimento.  Ninguém viu mais milagres do que o povo de Israel e mesmo assim eles provocaram a ira de Deus inúmeras vezes. Milagre, em si, não opera transformação. Faraó viu milagres e nem assim se converteu. Vários milagres foram feitos na época de Jesus e mesmo assim ele foi crucificado. Fariseus viram milagres mas saíram dizendo que Jesus  fazia tudo aquilo pelo poder de Belzebu.  

b- Mas eu queria ver o que o Apóstolo Paulo viu e queria fazer os milagres que os discípulos fizeram.

a- Eu também queria, mas...

b- "Mas" o quê?

a- Toda moeda tem dois lados. Você quer sinais e maravilhas. Ok. Mas para isso também precisa beber do mesmo cálice que eles beberam.

b- Qual cálice?

a- Perseguição, açoites, sofrimento, prisão, mortes, martírio...

b-  Não acredito que Deus "cobre" as pessoas  dessa forma!

a- Não é cobrança!!!!!    O que esses heróis do passado receberam foi com a finalidade de receber força para aguentar o que aguentaram. Era a necessidade do momento!   Nós não estamos tendo as mesma lutas que eles tiveram, então por que precisaríamos das mesmas armas e do mesmo reforço?  O que Deus tem nos dado hoje é suficiente para nos manter de pé hoje. Se precisarmos de mais, ele nos dará mais, mas só na hora certa.  Ele deu aquele poder aos discípulos com uma finalidade. E a finalidade era dar a eles FORÇA, RESISTÊNCIA e CORAGEM para TESTEMUNHAR e MORRER sem negar ao Senhor.  Ele não deu tudo aquilo porque os discípulos eram bonzinhos ou eram melhores do que nós. Ele deu para que eles aguentassem tudo o que aguentaram na formação da Igreja.  Havia uma finalidade!  Não era um prêmio! Eram ferramentas, armas de guerra!

b- E se nós viermos a passar pelas mesmas situações dos discípulos?

a- Deus jamais nos abandonará. Tenho certeza de que ele nos dará a mesma graça para resistir. 

b- E você acha que "os últimos dias da Igreja na Terra" são tão relevantes quanto a criação da nação judaica ou a criação da igreja?   Será que Deus vai se revelar com o mesmo poder e consequente severidade?

a- Isso eu não sei dizer, mas desconfio que a resposta seja SIM. O importante é ter em mente o seguinte:  Deus só age com propósitos. 

-  Se houver PROPÓSITO DIVINO a gente vai ver Deus agir da mesma maneira que ele agiu no deserto e em Atos. Ele jamais mudou e jamais mudará. 

- Quanto mais Deus se faz presente, mais o terreno em que ele está será santo.  Deus não suporta o pecado.

- Jesus disse certa vez que "vós não sabeis o que pedis".  Queremos o mesmo poder dos profetas mas não queremos beber do mesmo cálice que eles beberam.  A quem muito se dá, muito lhe será requerido e haverá "mais duro juízo"  para quem mais recebeu(Tiago 3:1).       Moisés não entrou na terra prometida por causa de um "pecadinho". Por que será que Deus tratou o "pecadinho" dele de forma tão mais severa?  Porque Moisés falou com Deus face a face e viu o que nenhum de nós jamais viu. Então o Senhor cobrou dele muito mais.  Pensemos nisso.

Deus não amava os apóstolos e profetas mais do que nos ama. Às vezes parece que sim, pois parece que Deus deu mais a eles do que parece dar a nós (em matéria de poder e milagres).  Podemos pensar "poxa, por que Deus amava mais Moises, Elias, Abraão, Paulo?"   Mas considere o seguinte:   Da mesma forma,  se os apóstolos e profetas pudessem nos ver hoje, eles também poderiam questionar "por que Deus deu a esse povo uma vida tão mansa e deu a nós uma vida tão difícil e cheia de perseguições?"  Paulo poderia perguntar "será que Deus ama mais a igreja do século XXI do que igreja do primeiro século? Será que eles são mais santos e obedientes e por isso tem uma vida mais tranquila? O que será que eu fiz de errado para ficar só com a parte difícil?"

Na parábola dos talentos vemos que os talentos foram distribuídos segundo a CAPACIDADE  de cada um.  Não invejemos nem a cruz nem os talentos dos profetas ou dos apóstolos. O que temos é o que Deus sabe que podemos e precisamos carregar no tempo que se chama HOJE.





quinta-feira, 11 de maio de 2023

João 3:7

Hoje ouvi um pregador que falava, entre outras coisas, sobre a necessidade de  "pararmos de olhar para o retrovisor da vida com o espelho grande".  Ele dizia que precisávamos parar de viver eternamente lamentando o passado e  limitando as próprias esperanças pela medida do que já passou. 

Enquanto ele falava me ocorreu que a frase "importa-vos nascer de novo" pode ganhar aqui uma nova aplicação. Não uma nova interpretação, pois já é suficiente a que claramente se revela por si mesma, que fala da conversão. Mas  me veio à mente que "nascer de novo" poderia também ser aplicado à necessidade de "zerarmos a vida", aceitar que tal coisa passou e não permitir que nenhuma dor seja eterna.     Deixar tudo para trás é uma decisão forte, relevante. 

Não são só os nossos pecados que nos paralisam e nos tiram a coragem de andar de cabeça erguida. Há também decepções, lembranças dolorosas e paralisantes.   

Toda impressão de que "não vou conseguir" ou "não vai dar certo"  vem de alguma experiência negativa do passado.  

Claro que esse é um exercício emocional. Ninguém apaga o passado, até porque somos fruto de tudo o que nos aconteceu. Se pudéssemos REALMENTE  apagar o passado, nem sei no que nos transformaríamos. Mas mesmo assim esse exercício de "recomeçar o jogo do zero" é necessário e se assemelha mesmo a um renascer.

Costumamos aplicar esse versículo aos não convertidos até porque o Senhor já disse que "dos teus pecados não me lembrarei mais".  Mas o que eu digo agora diz respeito não a Deus, que já nos abençoou, mas diz respeito apenas a nós mesmos, a uma cura emocional necessária para seguirmos adiante.

Nascer de novo, nesse sentido, é "atrofiar o passado" e  "tirar o seu ferrão".  Jesus já fez isso na cruz. A questão espiritual já foi resolvida por ele. Agora cabe a nós trabalharmos isso no terreno emocional.