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terça-feira, 2 de setembro de 2014

O teste

  
Quando o fariseu viu isso, pensou assim: “Se este homem fosse, de fato, um profeta, saberia quem é esta mulher que está tocando nele e a vida de pecado que ela leva.”  Jesus então disse ao fariseu: — Simão, tenho uma coisa para lhe dizer...” Lucas 7:39


Aparentemente Simão era um homem cuidadoso e sincero. Preferia analisar as coisas a se precipitar. Dentro dele havia uma inclinação e um medo; uma dúvida e um desejo.  Convidou Jesus para uma refeição – não para tenta-lo! Mas para entende-lo, conhece-lo melhor. Queria, sinceramente, saber se Jesus era mesmo o enviado de Deus ou não.  Só que para chegar a uma conclusão utilizou um parâmetro completamente equivocado. Pobre Simão... 

Parece-me que havia uma certa tristeza na frase de Simão. Ele tinha se animado com a ideia de que Jesus poderia ser, afinal de contas, o Messias. De repente, a decepção:  “Poxa, se ele fosse profeta saberia quem é essa mulher. Se ele não a rejeita é porque não sabe quem ela é e se não sabe, então não é profeta coisa nenhuma. Eu me enganei.”

Fico encantada com a sensibilidade atenciosa de Jesus. Um desapontamento desse em alguém sinceramente inclinado para o Bem não poderia ficar sem cuidado!  Jesus é tão maravilhoso, mas tão maravilhoso, que não pôde deixar uma pessoa sincera - embora equivocada - sem resposta. Ele então dirigiu-se especialmente e atenciosamente a Simão e lhe explicou algo importantíssimo: 

“Simão, tenho uma coisa para lhe dizer:
— Fale, Mestre! — respondeu Simão.
Jesus disse:
— Dois homens tinham uma dívida com um homem que costumava emprestar dinheiro. Um deles devia quinhentas moedas de prata, e o outro, cinquenta, 42mas nenhum dos dois podia pagar ao homem que havia emprestado. Então ele perdoou a dívida de cada um. Qual deles vai estimá-lo mais?
 — Eu acho que é aquele que foi mais perdoado! — respondeu Simão.
— Você está certo! — disse Jesus.
Então virou-se para a mulher e disse a Simão:
— Você está vendo esta mulher? Quando entrei, você não me ofereceu água para lavar os pés, porém ela os lavou com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Você não me beijou quando cheguei; ela, porém, não para de beijar os meus pés desde que entrei. Você não pôs azeite perfumado na minha cabeça, porém ela derramou perfume nos meus pés. Eu afirmo a você, então, que o grande amor que ela mostrou prova que os seus muitos pecados já foram perdoados. Mas onde pouco é perdoado, pouco amor é mostrado.”

Agora sim Simão pôde entender o que estava acontecendo! 

Que maravilha! Quando Jesus encontra uma pessoa que realmente quer conhece-lo, que tem questionamentos não maliciosos mas sinceros, ele pára tudo para dar-lhe atenção. 

“Quem em ti confia não ficará confundido”.

Mas mais adiante, na mesma ocasião, vemos outras pessoas também com uma interrogação na cabeça:

“— Que homem é esse que até perdoa pecados?
 Mas Jesus disse à mulher:
— A sua fé salvou você. Vá em paz.”

Interessante: a estes Jesus ignorou. Eles foram embora com a mesma pergunta. Talvez tenham morrido sem uma resposta. Jesus não se dignou a lhes dar a mesma atenção que deu a Simão. Por quê? Certamente porque viu que não havia em seus corações um desejo sincero de entender os caminhos de Deus. Não havia devoção ou simplicidade. Queriam apenas criticar e apontar defeitos, então foram deixados de lado. É como disse o poeta Chico Buarque: 

"A vida passou na janela e só Carolina não viu..."

A Vida passou por eles mas eles nem perceberam!


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